
Quem tem celulares pós-pagos aqui no Brasil sabe como funciona: durante um ano você paga um belo troco em um plano e, ao final do contrato, precisa renovar com a operadora. A partir daí, para as empresas te segurarem, apelam para aqueles programas de fidelidade, dizendo que você tem um número X de pontos e tem direito a um telefone com ‘tantos por cento de desconto”. Caso você seja um cliente relativamente gastador, pode levar esse aparelho de graça.
Mas o ponto principal disso tudo é: você ficou UM ANO pagando por um plano para ter direito a esse benefício. Fora o que foi gasto pelo telefone.
E é observando como as coisas funcionam nos Estados Unidos que você se sente o maior trouxa da história. Isso porque é naquele país que as empresas brigam pesado para que as pessoas adotem seus planos de telefonia.
Vamos aos exemplos:
No site da Amazon, você consegue comprar um Palm Pre Plus (foto abaixo) por apenas um centavo de dólar (sim, um mísero cent)! Desde que, é claro, você assine um plano de pelo menos dois anos com a Verizon.
Outro bom exemplo da “guerra dos subsídios” está no recente lançamento do Blackberry Torch. Desta vez, a mesma Amazon vende o aparelho por 100 dólares em sua página. Já na loja da AT&T, o mesmo gadget sai por 200 dólares.
E parece que a maior loja virtual do mundo tem como hobby comprar briga com as operadoras quando o assunto é vender smartphones abaixo do preço. O Samsung Captivate custa 200 dólares na loja da AT&T. Já na Amazon, 50 “doletas”. E o Motorola Droid 2 sai por 200 dólares na Verizon Wireless, contra 100 “verdinhas” na empresa de Jeff Bezos.
Para não falar que a (bem-vinda) prática é coisa apenas da Amazon, a Wirefly comercializa o Xperia X10, da Sony Ericsson, por 50 dólares, enquanto a AT&T vende por 150.
(E isso porque nem falamos do iPhone, que custa a partir de US$99 pela AT&T.)
Como não existe almoço grátis, é claro que todos os valores acima estão atrelados a adesão de planos com as operadoras. Além disso, no caso das varejistas virtuais como a Amazon, você não leva o aparelho na hora e precisa esperar alguns dias para recebê-lo.
Mas notem três detalhes: o primeiro é que os modelos citados nos parágrafos acima são alguns dos melhores smartphones existentes no mercado, com ótimos recursos multimídia e bons sistemas operacionais. Para ter aparelhos assim por aqui, a um preço convidativo, você precisa assinar um senhor plano, pagando uma bela grana.
O segundo é que você pega esses aparelhos ao aderir à operadora. Ou seja, não precisa ficar um ano pagando por um plano, ter programa de fidelidade, pontos acumulados ou coisa que o valha para conseguir um deles.
E o terceiro é que nos EUA eles levam a sério essa “tal” de concorrência. São mais de 180 operadoras espalhadas pelo país, que sabem que se não conseguirem atrair o cliente com benefícios concretos, saem do mercado em um piscar de olhos. Enquanto aqui temos o que? Três ou quatro empresas se engalfinhado? E se você leu o texto com atenção, vai notar que a competição é tamanha que a Amazon e a Wirefly vendem muito mais barato que as lojas das próprias operadoras. Isso porque essas últimas saem ganhando de qualquer jeito.
Agora compare com a situação brasileira.
Dá para passar raiva ou não?