Cerca de mil pessoas participaram de uma manifestação próximo ao Fórum, exigindo que seja feita Justiça nesse caso
Iguatu. Sob forte esquema de segurança, o capitão da Polícia Militar, Daniel Bezerra Gomes, 32 anos, foi ouvido, ontem à tarde, no Fórum de Justiça local, pelo juiz das Execuções Criminais, Wotton Ricardo da Silva. O militar reafirmou o depoimento inicial, mantendo a versão de legítima defesa. Ele é acusado de praticar duplo homicídio qualificado, contra os médicos Marcelo e Leonardo Moreno Teixeira, que eram irmãos. O crime ocorreu nesta cidade, em 17 de março passado, no estacionamento de uma churrascaria, onde se realizava uma seresta.
O depoimento durou três horas e durante todo esse tempo cerca de mil pessoas participaram de uma manifestação nas proximidades do Fórum, uma vez que a PM fez um cordão de isolamento na área. Com cartazes e faixas pediam Justiça para o caso. Que não acabasse na impunidade, por ter sido praticado por um oficial da Polícia Militar. Os pais das vítimas, o médico e ex-prefeito de Mombaça, Nelson Teixeira, e Célia Moreno, ficaram ao lado dos manifestantes. Foram mobilizados 160 policiais de Iguatu, Fortaleza e Juazeiro do Norte, para montar o esquema de segurança.
Apesar do clima de tensão e da revolta dos manifestantes, o ato público transcorreu sem incidentes. O capitão Daniel Gomes mostrou-se tranqüilo durante o depoimento e reafirmou que agiu em legítima defesa, usando a arma de uma das vítimas. O promotor de Justiça Antônio Monteiro, disse que o acusado deu um depoimento defensivo. “O relato das testemunhas é claro e derruba essa versão fantasiosa”.
Proteção
O assistente da acusação, Paulo Quezado, disse estar preocupado com as testemunhas. “Vou pedir que sejam incluídas no programa de proteção”, disse. Na manhã de ontem, três delas foram ouvidas no Conselho de Justificação, na quartel da 2ª Companhia do 2º BPM. Reafirmaram depoimentos dados na Polícia Civil, que o capitão usou uma arma que trazia na perna e matou os dois irmãos médicos, que não chegaram a agredir o militar. Protestos, gritos e choro Parentes e amigos dos estudantes Marcelo e Leonardo Teixeira colocaram várias faixas exigindo justiça no entorno do Fórum Desembargador Boanerges de Queiroz Facó, em Iguatu, onde o capitão Daniel Gomes Bezerra prestou depoimento ontem. Algumas entidades também se manifestaram. A movimentação atraiu muitos curiosos. "Vim pra ver de perto o depoimento. O crime chocou bastante a população de Iguatu. Faremos tudo que for preciso para que haja justiça", disse a autônoma Judete Vieira, 55. As manifestações aumentaram por volta das 15 horas, quando seis ônibus de Mombaça chegaram ao local. Familiares dos estudantes Marcelo e Leonardo acompanhavam a comitiva. Conforme a Polícia, cerca de mil pessoas se concentraram no local. Cartazes, faixas e camisetas com a fotografia das vítimas completavam o cenário. A chegada de mais pessoas esquentou o clima no entorno do Fórum. "Justiça, justiça", "Assassino", "Besta Fera", eram os gritos mais ouvidos na multidão. Os sentimentos de solidariedade e de revolta aumentavam a cada depoimento da família à imprensa. Os pais dos estudantes, desolados, choravam muito e pediam por justiça. "Confiamos primeiramente em Deus. Temos certeza que as autoridades do Ceará darão uma resposta à esse crime, que ele não ficará impune. Há 30 dias que estou batendo porta, clamando que haja justiça", afirmou o médico Nelson Teixeira, pai de Marcelo e Leonardo. "Nossa força para lutar nesse momento vem primeiramente de Deus e desses nossos amigos que estão aqui, pessoas que não se resumem só à população de Mombaça, mas de toda a Região Central. É um momento de muita dor, que não tenho nem palavras, uma dor incalculável, sem dimensão", acrescentou o irmão dos estudantes, Régis Moreno Teixeira. Após uma hora de depoimento, os ânimos dos manifestantes se acalmaram, alguns chegaram a se dispersar, sendo reaceso na saída do capitão Daniel Gomes, do Fórum. Policiais reforçaram a segurança para evitar que alguém mais exaltado se dirigisse contra a viatura que levava o policial. Os ânimos foram "esfriados" após a chuva que, ao fim do depoimento, começou a cair na cidade. Publique este artigo no seu site | Visto: 3410
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